Nova realidade desde o ano 2019, onde tudo se perdeu
Olhamos para o ecrã e para a rua,
O mundo gira, mas parece travado.
A mesma dúvida que era tua e minha
Hoje ecoa num tempo ainda mais cansado.
As fronteiras abriram, mas os muros cresceram,
Nas contas bancárias o saldo ainda aperta.
Resta a pergunta que os dias não esqueceram,
Nesta rotina fria, cinzenta e incerta.
Quem dita as regras deste jogo bizarro?
Crianças com fome, notícias de guerra.
A vida consome-se na ponta de um cigarro,
Enquanto a injustiça caminha na Terra.
Buscamos o palco, a luz, a saída,
O abraço que salva da dor mais profunda.
Mas a engrenagem esmaga a nossa vida,
E a velha questão no vazio inunda:
Se o pranto é de muitos e o ouro é de poucos,
Se a pressa do lucro destrói o que é puro,
Se vivemos cercados por medos e loucos,
Afinal, para quem foi feito o futuro?
Naomi M

Offline)
Comentários1
Afinal para quem foi feito o futuro.
Uma boa pergunta em, cuidado para esses pensamentos não lhe tirar da trilha de poesia.
Pois só se pode destruir uma engrenagem, quem tem igual ou mais força que ela.
Se essa pergunta sua, caisse em prova. minha resposta seria.
Para o pé de meia.
Risosss.
Bravos pelo dito.
Abraços.
Apegaua
Bela reflexão. De facto, o presente é a nossa única poesia real. Sobre a engrenagem, talvez a nossa maior força não seja destruí-la, mas sim encontrar as brechas para continuar rimando dentro dela.
Grande abraço e obrigada pelas palavras sábias.
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