Nova realidade desde o ano 2019, onde tudo se perdeu
Olhamos para o ecrã e para a rua,
O mundo gira, mas parece travado.
A mesma dúvida que era tua e minha
Hoje ecoa num tempo ainda mais cansado.
As fronteiras abriram, mas os muros cresceram,
Nas contas bancárias o saldo ainda aperta.
Resta a pergunta que os dias não esqueceram,
Nesta rotina fria, cinzenta e incerta.
Quem dita as regras deste jogo bizarro?
Crianças com fome, notícias de guerra.
A vida consome-se na ponta de um cigarro,
Enquanto a injustiça caminha na Terra.
Buscamos o palco, a luz, a saída,
O abraço que salva da dor mais profunda.
Mas a engrenagem esmaga a nossa vida,
E a velha questão no vazio inunda:
Se o pranto é de muitos e o ouro é de poucos,
Se a pressa do lucro destrói o que é puro,
Se vivemos cercados por medos e loucos,
Afinal, para quem foi feito o futuro?
Naomi M