Vida Dupla

Naomi

Vida Dupla (De Naomi M)

Metades de mim caminham pela calçada,
uma máscara sorri para o escrutínio do mundo,
enquanto a verdade sangra, bem guardada,
no sótão de um silêncio denso e profundo.
Visto o disfarce que a sociedade exige,
represento a personagem que aprova o olhar alheio,
mas nenhuma mentira destas me corrige,
nem acalma o terror que trago no seio.
À noite, a outra metade desaba na cama,
perante a ausência daquele que idealizei.
Dói o vazio de quem nunca me ama,
dói o afeto clandestino que censurei.
Ergui um trono a quem nem sabe o meu nome,
venero a indiferença de um olhar distante,
e essa rejeição, que me corrói e consome,
torna a minha vida dupla ainda mais sufocante.
Sou o eco de um abraço que nunca existiu,
um segredo trancado que ninguém quer ouvir,
dividido entre o amor que me baniu
e o medo constante de me descobrir.

Naomi M

  • Autor: Naomi (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de julho de 2026 21:35
  • Comentário do autor sobre o poema: Este é um dos meus poemas mais sinceros e tudo que escrevi, vem de uma realidade que a minha boca não conseguiria explicar, mas que bom que os membros do meu corpo cooperam, porque os meus dedos entenderam o quao dificil seria para a boca expressar tanta verdade que a mente e o coraçao tentam ocultar.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 19
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Queria saber que calculo foi esse que fizeste para dividir seu corpo certinho.
    Risos.
    Ficou supimpa, parabéns poetisa.
    Ficar bem.
    Apegaua

    • Naomi

      Hahaha, não existe nenhum segredo, pelo menos todo poeta tem as mesmas habilidades, porque nós escrevemos tudo aquilo que nao conseguimos exprimir.
      Muito obrigada, muita força e abraços da sua querida amiga

      • Apegaua

        Eita, querida amiga.
        Por momento fiquei confuso, mas pensando com a razão.
        Se não fosse querida não seria minha amiga.
        Só esse seu sorriso já vale qualquer amizade..
        Vida longa, querida amiga.
        Apegaua.



      Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.