Encantamento de Narcísio
Ele se viu pela primeira vez
num espelho d’água parado.
Não era vaidade, era surpresa:
um rosto que não sabia ser achado.
Tocou a superfície com o dedo,
e a imagem tremeu, mas não fugiu.
Descobriu que tinha nome,
que tinha sombra, que existia em si.
Amou o que via sem entender,
confundiu reflexo com companhia.
Ficou horas conversando em silêncio
com a única pessoa que lhe respondia.
O lago não explicou que era água,
nem que imagens não têm coração.
E Narcísio aprendeu da pior forma:
que se olhar demais é solidão.
Hoje ainda nos vemos no vidro,
na tela, no olhar do outro, no chão.
E a pergunta fica boiando:
quando é amor-próprio
e quando é prisão?
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de julho de 2026 06:00
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Gino, Sinvaldo de Souza

Offline)
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