piromaníaco

Noah Ferreira

não importa o quanto implores,

quantas juras, promessas, rezas

para todos os santos faça,

ele nunca vai ser eu.

 

vais riscar a caixa de fósforo

e a faísca vai desaparecer em segundos,

piromaníaco, segues em angústia,

procurando o incêndio que te fui.

 

me procuras em cada rua de são paulo,

na areia, à beira da praia,

na tua música agitada.

 

encenas amores de momentos que já viveste

na tentativa de que te falhe a batida,

como acontecia ao ouvir minha voz.

 

me procuras em cada esquina baixa,

em frente ao rio guaíba,

em uma praça abandonada.

 

quando rires e a risada dele não te completar,

quando tua mão tatear outra e não for a minha,

espero que doa.

 

e tu esperas que queime.

 

mas ele nunca será o quente da minha pele

que há de arder para sempre,

que não te voltará a aquecer.

 

depois de mim, qualquer calor vai sentir frio,

e tu vais passar a vida inteira se aproximando de outras chamas,

doente, em esperança de que,

ao menos uma única delas,

devolva-te o fogo que eu sou.

  • Autor: Noah Ferreira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de julho de 2026 07:59
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5


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