não importa o quanto implores,
quantas juras, promessas, rezas
para todos os santos faça,
ele nunca vai ser eu.
vais riscar a caixa de fósforo
e a faísca vai desaparecer em segundos,
piromaníaco, segues em angústia,
procurando o incêndio que te fui.
me procuras em cada rua de são paulo,
na areia, à beira da praia,
na tua música agitada.
encenas amores de momentos que já viveste
na tentativa de que te falhe a batida,
como acontecia ao ouvir minha voz.
me procuras em cada esquina baixa,
em frente ao rio guaíba,
em uma praça abandonada.
quando rires e a risada dele não te completar,
quando tua mão tatear outra e não for a minha,
espero que doa.
e tu esperas que queime.
mas ele nunca será o quente da minha pele
que há de arder para sempre,
que não te voltará a aquecer.
depois de mim, qualquer calor vai sentir frio,
e tu vais passar a vida inteira se aproximando de outras chamas,
doente, em esperança de que,
ao menos uma única delas,
devolva-te o fogo que eu sou.