E o que resta?

Ayalah Verônica Berg

 

Frutos caem  
sem quem os colha.  
O sal se dissolve  
na boca de quem dormiu.  
 
Olhos fechados veem  
o que lábios calados  
nunca ousam beijar.  
 
Sombras abençoam  
o breve.  
Estrelas já foram  
mulheres despenteadas  
no escuro.  
 
Toque é bom  
e o bom mente  
um prazer que se despede  
antes de chegar.  
 
Desejo não pede razão:  
morde a espuma  
e afunda  
com a elegância dos mortos.  
 
Lágrima e riso  
se entrelaçam  
como amantes distraídos  
num velório sem flores.  
 
A madrugada observa  
sem tomar partido.  
Tudo é indiferente,  
até o sono  
que se demora  
e apodrece no ar.  
 
Noite sem sentido,  
mas nua,  
estendida sobre a cama  
como quem espera  
o golpe doce  
do príncipe que não chega.
 
 
E o que resta?
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de julho de 2026 12:43
  • Comentário do autor sobre o poema: Este poema, "E o que resta?", está atualizado. O original, que faz parte do meu diário secreto, foi escrito quando eu tinha 17 anos. Este que publico agora é um diálogo entre a minha versão de 17 e a de 28 anos. Ah! Já estou meio cheia daqui, então vou dar um tempo... mas continuarei publicando minhas notas-poesia no meu diário (o Nostr) e no meu blog... acho que coloquei os links na bio. Beijos platônicos... hehehe.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 16
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos
Comentários +

Comentários3

  • Rogério

    Amei, muito bom

  • Francisco Queiroz

    Um pena, mas entendo...
    E se vai por um tempo, mas fechando com chave de ouro, este é o melhor teu que já li!

    Estaremos a tua espera minha amiga,

    Abraço fraterno

    • Ayalah Verônica Berg

      Ah, obrigada, Francisco, tu é uma pessoa muito legal e tem forte sensibilidade poética. Vou te contar sobre o poema... na minha adolescência minha avó me indicava o que ela gostava e "E o que resta?", que escrevi aos 17, teve muita influência da poeta que eu lia muito na época, leio e adoro até hoje, Adélia Prado.
      Obrigada pelo carinho... e — I'll be back — hehehe.

    • Sergio Neves

      SERGIO NEVES - ...tás brincando?! ...agora que o negócio tava ficando bom tu vens com essa de "arrivedersi"?! ...pô! ...faz isso não! / ...tá certo que lá pelos lados do "Nostr" dá pra ficar sabendo de ti, das tuas artes...(e que artes!)...,...mas, não dá pra comentar (...o teu "Embriaguez" merecia (merece) mil dizeres a respeito... -literatura deliciosa!)... / ...bom, há que se respeitar o teu "já estou meio cheia daqui",...fazer-se o quê? ...daqui de longe não dá pra te segurar "na marra",...então, "e o que resta?" ...ficar choramingando pelos cantos pela tua ausência? ...é, talvez... // ...fechaste com chave de ouro essa tua "passagem" por aqui com esse teu escrito...,...pra lá de bom de ler e de sentir... -como sempre... /// Até mais, menina(-mulher) poeta de sensibilidades tantas,...carinhos (já saudosos) a ti.



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