Frutos caem
sem quem os colha.
O sal se dissolve
na boca de quem dormiu.
Olhos fechados veem
o que lábios calados
nunca ousam beijar.
Sombras abençoam
o breve.
Estrelas já foram
mulheres despenteadas
no escuro.
Toque é bom
e o bom mente
um prazer que se despede
antes de chegar.
Desejo não pede razão:
morde a espuma
e afunda
com a elegância dos mortos.
Lágrima e riso
se entrelaçam
como amantes distraídos
num velório sem flores.
A madrugada observa
sem tomar partido.
Tudo é indiferente,
até o sono
que se demora
e apodrece no ar.
Noite sem sentido,
mas nua,
estendida sobre a cama
como quem espera
o golpe doce
do príncipe que não chega.
E o que resta?
de Ayalah Verônica Berg