Roça no pivor

Gino, Sinvaldo de Souza

Roça no pivor

No pivor de Matrinchã  
o sol desce sem piedade.  
Não há sombra nem manhã,  
só calor e claridade.

Gente grande e gente miúda  
trabalham no mesmo chão.  
Criança, velho se ajuda  
enchendo caixa e balde então.

Por trocado se peleja,  
cada caixa é um valor.  
Tomate podre despeja  
caldo quente e faz calor.

Quem pisa descalço sente  
o fogo que o chão traz.  
Mas não para, segue em frente,  
pois parar não ganha mais.

O feitor grita ligeiro,  
sede seca o coração.  
É mar vermelho, inteiro,  
mas é dura a plantação.

Caminhão leva a colheita,  
deixa rastro pelo chão.  
E o povo volta na seara  
com sol e dor na mão.

Comentários +

Comentários3

  • Francisco Queiroz

    A lida na roça, dura, mas tem sua beleza...
    Belo retrato!

    Abraço

    • Gino, Sinvaldo de Souza

      Obrigado, poeta pela leitura!

      • Gino, Sinvaldo de Souza

        Onde eu morava na época que eu era adolescente a roça de tomate era a alegria dos adolescentes, era meio de ganhar um pouco de dinheiro, a vida era difícil, dinheiro não era comum, muito mais difícil que hoje!

      • Gino, Sinvaldo de Souza

        Memórias que marcaram muitas famílias

      • Gino, Sinvaldo de Souza

        Onde trabalhei na minha juventude!



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