Gino, Sinvaldo de Souza

Roça no pivor

Roça no pivor

No pivor de Matrinchã  
o sol desce sem piedade.  
Não há sombra nem manhã,  
só calor e claridade.

Gente grande e gente miúda  
trabalham no mesmo chão.  
Criança, velho se ajuda  
enchendo caixa e balde então.

Por trocado se peleja,  
cada caixa é um valor.  
Tomate podre despeja  
caldo quente e faz calor.

Quem pisa descalço sente  
o fogo que o chão traz.  
Mas não para, segue em frente,  
pois parar não ganha mais.

O feitor grita ligeiro,  
sede seca o coração.  
É mar vermelho, inteiro,  
mas é dura a plantação.

Caminhão leva a colheita,  
deixa rastro pelo chão.  
E o povo volta na seara  
com sol e dor na mão.