Roça no pivor
No pivor de Matrinchã
o sol desce sem piedade.
Não há sombra nem manhã,
só calor e claridade.
Gente grande e gente miúda
trabalham no mesmo chão.
Criança, velho se ajuda
enchendo caixa e balde então.
Por trocado se peleja,
cada caixa é um valor.
Tomate podre despeja
caldo quente e faz calor.
Quem pisa descalço sente
o fogo que o chão traz.
Mas não para, segue em frente,
pois parar não ganha mais.
O feitor grita ligeiro,
sede seca o coração.
É mar vermelho, inteiro,
mas é dura a plantação.
Caminhão leva a colheita,
deixa rastro pelo chão.
E o povo volta na seara
com sol e dor na mão.