Quando a luz deixar teus olhos

Eduardo Wartha

Quando a luz deixar teus olhos, eu vou ter que fingir

que consigo lidar com o mundo sem ter você aqui.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

eu vou ter que abraçar a solidão,

vou ter que sorrir para a depressão,

vou ter que aceitar a negação.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

a cidade continua em movimento,

mas minha mente para naquele momento.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

a música fica inaudível,

até brincar fica impossível.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

o sentido é perdido,

mas desde o começo talvez nunca tenha existido.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

a lágrima nos percorre.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

uma parte de mim morre.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

vou ter que mentir para mim mesmo.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

vou ter que encarar meu medo.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

o mundo segue em frente,

mas não a minha mente;

eu fico preso no trânsito.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

eu tento alterar o presente,

mas não dá para mudar o que a gente sente,

engarrafamento que me bloqueia enquanto transito.

 

Fico preso no passado,

negocio com o presente,

tento evitar o futuro,

mas ele vem eventualmente.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

eu me torno um copo meio vazio,

me torno uma tundra soterrada durante o frio.

 

Quando a luz deixar teus olhos,

eu deixo de ser quem sou,

pensando no que serei,

enquanto fico preso no que passou.

  • Autor: Eduardo Wartha (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de junho de 2026 11:55
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.