Quando a luz deixar teus olhos, eu vou ter que fingir
que consigo lidar com o mundo sem ter você aqui.
Quando a luz deixar teus olhos,
eu vou ter que abraçar a solidão,
vou ter que sorrir para a depressão,
vou ter que aceitar a negação.
Quando a luz deixar teus olhos,
a cidade continua em movimento,
mas minha mente para naquele momento.
Quando a luz deixar teus olhos,
a música fica inaudível,
até brincar fica impossível.
Quando a luz deixar teus olhos,
o sentido é perdido,
mas desde o começo talvez nunca tenha existido.
Quando a luz deixar teus olhos,
a lágrima nos percorre.
Quando a luz deixar teus olhos,
uma parte de mim morre.
Quando a luz deixar teus olhos,
vou ter que mentir para mim mesmo.
Quando a luz deixar teus olhos,
vou ter que encarar meu medo.
Quando a luz deixar teus olhos,
o mundo segue em frente,
mas não a minha mente;
eu fico preso no trânsito.
Quando a luz deixar teus olhos,
eu tento alterar o presente,
mas não dá para mudar o que a gente sente,
engarrafamento que me bloqueia enquanto transito.
Fico preso no passado,
negocio com o presente,
tento evitar o futuro,
mas ele vem eventualmente.
Quando a luz deixar teus olhos,
eu me torno um copo meio vazio,
me torno uma tundra soterrada durante o frio.
Quando a luz deixar teus olhos,
eu deixo de ser quem sou,
pensando no que serei,
enquanto fico preso no que passou.