O Dia em que a Chuva Guardou Nossos Nomes Por Juliana Hoffmann Liska Escrito em 2026

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Naquele dia chuvoso,
a neblina desceu cedo
e o mundo tornou-se
um retrato sem contornos.

O velho penhasco
observava o vale em silêncio,
como se lembrasse
de todas as despedidas.

August chegou primeiro.

Marcela veio depois,
trazendo nos olhos
o brilho cinzento da tempestade.

Não havia promessas.

Apenas a chuva,
caindo paciente
sobre os pinheiros,
sobre as pedras,
sobre as palavras
que nenhum dos dois
teve coragem de dizer.

O vento levou um chapéu,
uma folha seca
e um último sorriso.

Quando a tarde escureceu,
a neblina apagou seus passos,
mas não a lembrança.

Desde então,
sempre que a chuva visita
aquele antigo penhasco,
parece escrever seus nomes
na rocha molhada,

como se o amor
não precisasse vencer o tempo,

apenas aprender
a permanecer
naquilo que o céu
nunca deixa de derramar.



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