O velho penhasco
observava o vale em silêncio,
como se lembrasse
de todas as despedidas.
August chegou primeiro.
Marcela veio depois,
trazendo nos olhos
o brilho cinzento da tempestade.
Não havia promessas.
Apenas a chuva,
caindo paciente
sobre os pinheiros,
sobre as pedras,
sobre as palavras
que nenhum dos dois
teve coragem de dizer.
O vento levou um chapéu,
uma folha seca
e um último sorriso.
Quando a tarde escureceu,
a neblina apagou seus passos,
mas não a lembrança.
Desde então,
sempre que a chuva visita
aquele antigo penhasco,
parece escrever seus nomes
na rocha molhada,
como se o amor
não precisasse vencer o tempo,
apenas aprender
a permanecer
naquilo que o céu
nunca deixa de derramar.