De nós

Mário Francisco Pugens Bressan

A chuva apagava
o desenho das avenidas.

As sinaleiras pingavam vermelho
sobre as poças da madrugada.

Um táxi levava embora
o último som da festa.

Os postes escorriam
fios de luz
sobre o asfalto.

Teus cabelos
misturavam água e perfume.

As gotas aprendiam
o desenho dos teus ombros.

Teu vestido
já era chuva.

A madrugada demorava
no vermelho.

Cada beijo
abria uma rachadura
no asfalto.

A cidade esquecia
a diferença
entre chuva e luz.

E por um instante,

a chuva
já não vinha do céu.

Vinha
de nós.

Comentários +

Comentários2

  • Francisco Queiroz

    Mário, que bela cena, muito imersivo teu poema, a poesia de calçada, eu aprecio...

    Abraço amigo

  • Shmuel

    Lindo demais! A chuva conectando amores.

    Abraços



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.