A chuva apagava
o desenho das avenidas.
As sinaleiras pingavam vermelho
sobre as poças da madrugada.
Um táxi levava embora
o último som da festa.
Os postes escorriam
fios de luz
sobre o asfalto.
Teus cabelos
misturavam água e perfume.
As gotas aprendiam
o desenho dos teus ombros.
Teu vestido
já era chuva.
A madrugada demorava
no vermelho.
Cada beijo
abria uma rachadura
no asfalto.
A cidade esquecia
a diferença
entre chuva e luz.
E por um instante,
a chuva
já não vinha do céu.
Vinha
de nós.