alma reta
nada vela.
bebo o meu segredo
em vinho lento.
ao diabo ofereço
a língua dúbia,
ele me sela os lábios
só com sede.
minha outra
é alfinete
na carne fria.
à noite alinhava
corpo e queda.
tem dois gumes
a sombra
que me guia —
sabe o desejo
rente ao fim.
que a loucura venha
ladra da aurora.
e os demônios
que em mim falarem
se percam
na prata do vidro.
e a escuridão
que eu nutro
com teu ar distante
te cubra os olhos
numa ciência exata —
sede negra
de um corte lento.
que a última voz
seja a marca suja
de um gesto
já sem volta.
Espelho de Prata
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 25 de junho de 2026 13:10
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 55
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua, ondavida amar, Drica

Offline)
Comentários2
Combina imagens sombrias e delicadas com uma musicalidade contida que prende o leitor do início ao fim. Cada verso carrega múltiplas camadas de sentido, criando uma atmosfera de desejo, loucura e autoconfronto. Gostei especialmente da forma como a sede aparece como metáfora recorrente, costurando o texto com grande coerência simbólica. Há uma beleza inquietante nas contradições que você constrói, entre sombra e lucidez, queda e entrega. Um poema intenso, maduro e marcado por uma identidade poética muito própria.
Ayalah, interessante de mais, é um colocar fogo no braseiro e ir alimentado consigo mesmo e ficar admirado com brilho enquanto se é consumido, até se apagar...
Sempre muito bom te ler
Abraço fraterno!
... hehehe... sei.
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