alma reta
nada vela.
bebo o meu segredo
em vinho lento.
ao diabo ofereço
a língua dúbia,
ele me sela os lábios
só com sede.
minha outra
é alfinete
na carne fria.
à noite alinhava
corpo e queda.
tem dois gumes
a sombra
que me guia —
sabe o desejo
rente ao fim.
que a loucura venha
ladra da aurora.
e os demônios
que em mim falarem
se percam
na prata do vidro.
e a escuridão
que eu nutro
com teu ar distante
te cubra os olhos
numa ciência exata —
sede negra
de um corte lento.
que a última voz
seja a marca suja
de um gesto
já sem volta.
Espelho de Prata
de Ayalah Verônica Berg