Em 1988 pendurei um capuz,
Deixei-o lá atrás da porta do tempo.
Revelei meu rosto e fiz o sinal da cruz,
Passei o portal seguindo ao nascimento.
Pela alma antiga, de cento e oitenta gramas,
A entrar em um corpo pequeno e muitos quilos mais pesado,
Dei o primeiro choro ao ver a luz e ouvir a voz que me chama,
Dizer: "Seja bem-vinda, aqui do outro lado."
O que ficou atrás da porta, o capuz que me espera,
Até que eu retorne, possa muito demorar.
Entre todas as moradas, esquecendo quem eu era,
Vestindo novas vidas, novas lições até voltar.
E na porta que passei, deixei para trás alguma vida.
Nascer aqui é não voltar para a família ao entardecer,
E esperar que, pelo mérito, em algum sonho eu estaria
Revisitando meu capuz, atrás da porta onde o deixei.
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Autor:
MihSil (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de junho de 2026 21:55
- Comentário do autor sobre o poema: E se nascer aqui, for a verdade a despedida em algum lugar e o anseio de reencontro? Lamentamos as separações da vida que são inevitáveis, mas talvez a própria união da vida seja um até logo para uma família ainda maior que deixará seu lugar na mesa esperando seu regresso. É mais profundo crer poeticamente que na casa de meu Pai há varias moradas, do que em eternas separações existências onde a alma lembra, mas não haja reencontro a todos ou uma nova chance de evoluir.
- Categoria: Espiritual
- Visualizações: 6
- Em coleções: 10Vende Quem S+Mos....

Offline)
Comentários1
Muito bonita a tua composição, e se não houver um fim, apenas transformação? O mistério é muito bom de se imaginar...
Uma boa noite!
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