Em 1988 pendurei um capuz,
Deixei-o lá atrás da porta do tempo.
Revelei meu rosto e fiz o sinal da cruz,
Passei o portal seguindo ao nascimento.
Pela alma antiga, de cento e oitenta gramas,
A entrar em um corpo pequeno e muitos quilos mais pesado,
Dei o primeiro choro ao ver a luz e ouvir a voz que me chama,
Dizer: \"Seja bem-vinda, aqui do outro lado.\"
O que ficou atrás da porta, o capuz que me espera,
Até que eu retorne, possa muito demorar.
Entre todas as moradas, esquecendo quem eu era,
Vestindo novas vidas, novas lições até voltar.
E na porta que passei, deixei para trás alguma vida.
Nascer aqui é não voltar para a família ao entardecer,
E esperar que, pelo mérito, em algum sonho eu estaria
Revisitando meu capuz, atrás da porta onde o deixei.