Poema Anônimo

Francisco Queiroz

Escrevi para minha musa,

Compus rimas com sinônimos

Para intensificar o clamor.

 

Por não poder declarar o meu amor,

Escrevia em letra miúda,

Em tom de respiração ofegante.

 

No balcão deixo remetente em branco.

O selo era da família real, elegante,

Porém o carimbo conta os centavos.

 

Lembro que não revisei.

Tarde demais, sento-me no banco,

Vejo o carteiro sair em rota

E desejo que não tenha sucesso.

 

A minha musa não é a da poesia,

Então será uma provocação.

Queria ela uma tabela, um extrato

Ou, melhor, um problema.

 

Dar-se-á por insatisfeita,

Contudo estarei protegido.

Anônimo.

 

E, quando estiver com ela,

Ajudarei a criticar o poeta,

E em algum ponto concordarei com ele,

Criando um famigerado problema.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de junho de 2026 12:58
  • Comentário do autor sobre o poema: O clamor de um poeta anônimo pronto para virar o melhor dos problemas.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
  • Em coleções: Silêncios.
Comentários +

Comentários2

  • Ayalah Verônica Berg

    Como sempre, lindo e inspirador.

    • Francisco Queiroz

      Obrigado pelo carinho, minha amiga...

      Abraço

    • Apegaua

      Ficou bem sentimental, parabéns, essa musa, a tua e igualzinha a minha.
      Escreveu não leu, o pau canta.
      Abraços amigos.
      Apegaua

      • Francisco Queiroz

        Então lascou, o jeito é só fazer poesia depois de lavar as vasilhas...

        Abraço amigo
        Fiquem bem!



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