Francisco Queiroz

Poema AnĂ´nimo

Escrevi para minha musa,

Compus rimas com sinônimos

Para intensificar o clamor.

 

Por não poder declarar o meu amor,

Escrevia em letra miúda,

Em tom de respiração ofegante.

 

No balcão deixo remetente em branco.

O selo era da família real, elegante,

Porém o carimbo conta os centavos.

 

Lembro que não revisei.

Tarde demais, sento-me no banco,

Vejo o carteiro sair em rota

E desejo que não tenha sucesso.

 

A minha musa não é a da poesia,

Então será uma provocação.

Queria ela uma tabela, um extrato

Ou, melhor, um problema.

 

Dar-se-á por insatisfeita,

Contudo estarei protegido.

Anônimo.

 

E, quando estiver com ela,

Ajudarei a criticar o poeta,

E em algum ponto concordarei com ele,

Criando um famigerado problema.