Escrevi para minha musa,
Compus rimas com sinônimos
Para intensificar o clamor.
Por não poder declarar o meu amor,
Escrevia em letra miúda,
Em tom de respiração ofegante.
No balcão deixo remetente em branco.
O selo era da família real, elegante,
Porém o carimbo conta os centavos.
Lembro que não revisei.
Tarde demais, sento-me no banco,
Vejo o carteiro sair em rota
E desejo que não tenha sucesso.
A minha musa não é a da poesia,
Então será uma provocação.
Queria ela uma tabela, um extrato
Ou, melhor, um problema.
Dar-se-á por insatisfeita,
Contudo estarei protegido.
Anônimo.
E, quando estiver com ela,
Ajudarei a criticar o poeta,
E em algum ponto concordarei com ele,
Criando um famigerado problema.