Estrela

Noétrico

Na genealogia da lama
não nasceu, acendeu.
Centelha entre olhar  
e coisa olhada.

Não salva.  
Mede distância.
Sua luz mostra o ruído  
entre a coisa  
e o que pensamos dela.

Brilha pra lembrar:  
observar faz existir.

Não toca.  
Só cria o intervalo  
pra compreensão — 
toda luz do céu
já morreu.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de junho de 2026 08:48
  • Comentário do autor sobre o poema: A analogia com a 'estrela' na percepção do poema, é a consciência desperta. A ideia é de tal reflete o instante em que saímos da inércia (lama) para testemunhar a realidade de forma lúcida. Essa atenção ativa não busca o conforto, mas sim demarcar a separação exata entre o fato real e as ilusões de nossas mentes. E assim o ato puro de observar traz o mundo à existência para aquela consciência e ilumina o presente com a luz do passado.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 13
  • Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz
Comentários +

Comentários2

  • Rodrigo Melo

    Profundo, bem arquitetado.

    • Noétrico

      Conexão direta com "Lama", poema de ontem. "Cago estrelas na genealogia da lama". Alguns termos surgem aleatórios e os deixo pra alterar a profundidade. Raso.

    • A.Leonave.

      😀



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