Lama

Noétrico

O abismo não some.  
Ele entra e vira músculo.  
Cada queda me tece.  
Cada faísca me coze.  
Sou cicatriz que anda,  
verbo que sangra sentindo.

Não nego a ferida.  
Nem idolatro o corte.  
Engulo o abismo inteiro  
e cago estrelas.

  • Autor: Noétrico (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de junho de 2026 08:14
  • Comentário do autor sobre o poema: É a transformação de matéria bruta da experiência em algo novo, sem apagar a brutalidade do processo.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 4


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