Tríptico do Chão e do Ar

Francisco Claudio Claudio Gia

Tríptico do Chão e do Ar
Claudio Gia
Macau-RN, 22 de junho de 2026

No asfalto onde a rota se desenha,
o aeroviário curva o dorso ao vento –
não o que sopra, mas o que sustenta
o metal que atravessa a própria lenha.

Enquanto a palma, úmida de orvalho,
guarda o segredo das florestas-pulmão,
e a orquídea, em seu lábio de ilusão,
desenha o exato traço do seu talho.

Três tempos num só giro de calendário:
o suor, a seiva, a pétala que espera.
O chão que empurra o avião é legendário,
mas guarda a mesma lei da primavera.

Pois quem decola aprende com a raiz:
só voa alto quem sustenta o que é matriz.

Macau, Costa Branca – onde o sol inaugura cada dia com a pontualidade dos aeroportos e a desordem das matas.

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 21 de junho de 2026 20:21
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.