Noite negra como pólvora
Largo minha tristeza com desmazelo
Certa de que ficará onde eu abandonei e não voltará a me assustar
Como um polvo que solta sua tinta densa e segue sem se sujar
Ela dissolve, mas não poderá voltar
Como a pupila dilatada de um velho cego
O escuro tenta ficar, rodeando sem parar
Confuso como meus cabelos negros flutuando no mar
Nada atraente. Cansada, pelas ondas que batem e voltam em mim
É como o medo: incerto, que se faz e desfaz.
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Autor:
Drica (
Offline) - Publicado: 21 de junho de 2026 13:55
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 43
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
- Em coleções: Sereias.

Offline)
Comentários5
Seu poema cria uma atmosfera densa e quase submersa, onde a tristeza não é apenas um sentimento, mas uma matéria viva que se espalha, escurece e transforma tudo ao redor. A imagem do polvo soltando tinta é especialmente poderosa: transmite a ideia de libertação sem vitimização, como quem deixa a dor para trás sem permitir que ela continue definindo sua identidade.
O que mais chama atenção é a forma como você transforma sentimentos abstratos em imagens concretas e memoráveis. O leitor não apenas entende a tristeza e o medo; ele os vê, quase os toca. Isso dá ao texto uma força imagética rara e faz com que a leitura permaneça ecoando mesmo depois do último verso.
Obrigada! Você sempre profundo em suas observações.
Muito bom ler um poema seu novamente, abraços.
Obrigada, amigo!!!!
SERGIO NEVES - ...denso e intenso! ...gostei! /// Obrigado por escrever, amiga.
Obrigada por ler, Sergio!
Hum... adorei essa estratégia: a do polvo que solta tinta que tinge o cabelo da sereia... uau... linda poesia, maravilhosa, amei.
Obrigada! Adorei seu elogio! 🙂
O medo e a escuridão continuem rondando de forma incerta, há um sentimento de cansaço diante da instabilidade das emoções, comparadas a ondas que vão e voltam. No fim, retrata o contraste entre a tentativa de se livrar de uma dor profunda e o desgaste de lidar com sentimentos que se constroem e desfazem continuamente. Parabéns Drica amei seu poema. SZ SZ.
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