Às vezes penso que os sentimentos nasceram muito antes dos seres humanos.
Talvez tenha surgido naquele primeiro instante
em que um pequeno viajante olhou para o horizonte
e percebeu que estava longe de casa.
Não da casa feita de pedra,
madeira ou paredes.
Mas daquela outra.
A casa que mora dentro das coisas.
A dos campos intermináveis de folhas-estrela,
das águas sem medo,
dos caminhos iluminados por uma espécie de magia
que os adultos passam a vida tentando esquecer.
Desde então,
todos nós caminhamos.
Atravessamos desertos de dias comuns,
montanhas de despedidas,
neblinas onde já não reconhecemos
nem a própria direção.
E, mesmo assim,
algo continua nos guiando.
Não um mapa.
Não uma bússola.
Talvez apenas a memória difusa
de um encantamento antigo.
Porque existem momentos estranhos.
O cheiro da primavera.
Uma música escutada por acaso.
A luz dourada atravessando uma janela.
E, por um segundo apenas,
é como se as árvores se movessem novamente,
como se os ventos conhecessem nosso nome,
como se o caminho para o Vale Encantado
estivesse logo depois da próxima colina.
Mas ele nunca está.
Ou talvez esteja.
Talvez o Vale Encantado nunca tenha sido um lugar.
Talvez seja essa sensação rara
de estar profundamente vivo.
E seja por isso que os sentimentos as vezes doem.
Não porque perdemos alguma coisa.
Mas porque, em certos instantes,
lembramos da existência de uma beleza
grande demais para permanecer.
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Autor:
Amanda S. Moraes (
Offline) - Publicado: 19 de junho de 2026 09:57
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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