Éramos destinados a rachar?

Diógenes Fabricius

O seu olhar através do nosso silêncio 

Sentamos para o almoço 

Os meninos esparramavam palavras 

Eu contemplava teu maxilar.

 

Estamos cercados pela segurança

A capela no centro da vida 

"Na minha angústia eu clamei pelo Senhor"

Ele não me atendeu, eu estava aprisionado.

 

Você rodeado pelos outros 

Risadas no corredor 

Eu me derretia pelo calor da tua voz

Os muros intactos, mas eu era insegurança.

 

Os sinos tocavam

Eu acordava para me torturar

Sob o olhar de Maria 

Cantavamos os salmos antes dos pássaros.

 

Num dia decidi 

Direi tudo o que me leva ao inferno.

 

Eu vi o seu sorriso malicioso

Na verdade éramos cúmplices.

 

Na escuridão de um lugar sagrado 

Nossos lábios se tocaram

Estávamos condenados 

Éramos um prego na cruz.

 

Continuamos martelando 

Os anjos desistiram 

Os demônios se entediaram 

Certos ou errados?

 

Não sei, mas a rachadura me fez vacilar

Corri para o confessionário 

Queria estar limpo, de novo a salvo

É inclinação desordenada.

 

Numa tarde 

Eu disse tudo ao padre 

Correram as lágrimas 

Assinei nossa rivalidade.

 

Fora dos muros

Nunca mais no mesmo quarto 

Um amor de outono 

Uma memória sagrada.

 

  • Autor: Diógenes Fabricius (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de junho de 2026 00:27
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.