O seu olhar através do nosso silêncio
Sentamos para o almoço
Os meninos esparramavam palavras
Eu contemplava teu maxilar.
Estamos cercados pela segurança
A capela no centro da vida
\"Na minha angústia eu clamei pelo Senhor\"
Ele não me atendeu, eu estava aprisionado.
Você rodeado pelos outros
Risadas no corredor
Eu me derretia pelo calor da tua voz
Os muros intactos, mas eu era insegurança.
Os sinos tocavam
Eu acordava para me torturar
Sob o olhar de Maria
Cantavamos os salmos antes dos pássaros.
Num dia decidi
Direi tudo o que me leva ao inferno.
Eu vi o seu sorriso malicioso
Na verdade éramos cúmplices.
Na escuridão de um lugar sagrado
Nossos lábios se tocaram
Estávamos condenados
Éramos um prego na cruz.
Continuamos martelando
Os anjos desistiram
Os demônios se entediaram
Certos ou errados?
Não sei, mas a rachadura me fez vacilar
Corri para o confessionário
Queria estar limpo, de novo a salvo
É inclinação desordenada.
Numa tarde
Eu disse tudo ao padre
Correram as lágrimas
Assinei nossa rivalidade.
Fora dos muros
Nunca mais no mesmo quarto
Um amor de outono
Uma memória sagrada.