Estranha SOU.
Talvez porque carrego mares em direções opostas,
um coração que deseja partir
e raízes que insistem em permanecer.
Sou feita de contrastes.
Há dias em que busco o abraço do mundo,
o calor das vozes, os encontros, os afetos.
Em outros, desejo apenas a companhia do silêncio,
onde a alma conversa consigo mesma
sem precisar traduzir o que sente.
Habito a fronteira.
Entre o ser e o não ser,
entre a presença e a ausência,
entre a vontade de pertencer
e a liberdade de não caber.
Não me encaixo nos moldes desenhados,
nas formas prontas,
nos caminhos que esperavam de mim.
E talvez seja porque minha identidade
não foi feita para paredes estreitas.
Sou falha, incompleta, humana.
Carrego rachaduras que não escondo,
porque foi por elas que a luz encontrou entrada.
Não pertenço inteiramente ao barulho,
nem ao silêncio.
Não sou apenas partida,
nem somente permanência.
Sou a travessia.
A pergunta que não termina,
o verso que se recusa a concluir,
a contradição que respira
e faz da própria incerteza um lar.
Se sou estranha, que seja.
Pois minha existência floresce justamente aí:
na dialética do existir,
na coragem de ser muitas em uma,
e de caminhar pelo mundo
sem precisar caber nele para ser inteira.
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Autor:
Josi Moreira (
Offline) - Publicado: 18 de junho de 2026 09:43
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
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