Certa vez, havia um pequeno pássaro de penas douradas que vivia em uma floresta tranquila.
Seu canto era doce como o vento da manhã,
e todos os outros animais o admiravam por sua beleza e seu som único.
Mas um dia, o céu foi tomado por um grande
Dragão de Ferro, que cuspia fogo sem piedade,
afugentando todos os moradores daquela floresta.
As árvores queimaram,
os rios começaram a secar,
e o pequeno pássaro, tentando escapar,
teve suas asas chamuscadas pelas faíscas.
Em meio às cinzas, um grupo de corvos investigadores,
que tinha o objetivo de descobrir o que estava acontecendo, carregava o “Espelho dos Ventos”
— um objeto encantado que refletia tudo o que via para os quatro cantos do mundo.
O espelho capturou a imagem do pássaro ferido,
sem asas, correndo pelo chão.
Aquela imagem chocou a muitos,
e logo todos os reinos souberam de sua dor
e de seu corpo com cicatrizes profundas.
Os grandes reis e rainhas dos diferentes reinos começaram a discutir sobre a imagem.
Alguns disseram:
— Pobrezinho! Vamos espalhar sua história para que nunca se esqueçam desse sofrimento.
Outros murmuraram:
— Precisamos usá-lo como um símbolo para nossas causas, para que muitos venham nos apoiar.
Mas ninguém perguntou ao pássaro como ele se sentia.
O pássaro, sentindo-se prisioneiro da imagem no Espelho dos Ventos, pois era a notícia mais divulgada e não havia nenhuma solução para o Dragão de Ferro,
decidiu partir em uma jornada para recuperar sua verdadeira voz.
No caminho, encontrou uma águia dotada de sabedoria, que lhe aconselhou:
— Amigo, para ser mais que uma imagem,
você deve contar sua própria história, com suas próprias palavras,
mesmo que não te ouçam, nem te aceitem, nem te amem.
O pássaro e a águia resolveram sair juntos pelo mundo
para ajudar outras vítimas do dragão.
A águia, muito ágil e veloz, lhe ensinou a se defender
dos atacantes de ferro por onde passava.
Durante sua jornada, encontrou outros que também foram marcados pelo Dragão de Ferro,
e percebeu que sua dor não era única.
Então, com coragem, começou a contar sua própria história, que falava não só de sofrimento,
mas de esperança e reconstrução,
pois aprendeu muito com a águia que nunca o abandonou.
Seu canto encantou a muitos
e ecoou até o Espelho dos Ventos,
que desta vez refletiu não só a dor,
mas a força do pássaro e sua ousadia.
E assim, ele deixou de ser apenas um símbolo da tragédia e se tornou um exemplo de superação,
sobressaindo-se em meio aos horrores do
Dragão de Ferro.
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Autor:
Eulinda Brícia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de junho de 2026 15:02
- Categoria: Conto
- Visualizações: 4
- Em coleções: a poesia em vida.

Offline)
Comentários1
Lindo poema!!!
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