Eulinda Brícia

O Pássaro e o Espelho dos Ventos

Certa vez, havia um pequeno pássaro de penas douradas que vivia em uma floresta tranquila.

Seu canto era doce como o vento da manhã,

e todos os outros animais o admiravam por sua beleza e seu som único.

Mas um dia, o céu foi tomado por um grande 

Dragão de Ferro, que cuspia fogo sem piedade,

afugentando todos os moradores daquela floresta.

As árvores queimaram,

os rios começaram a secar,

e o pequeno pássaro, tentando escapar,

teve suas asas chamuscadas pelas faíscas.

Em meio às cinzas, um grupo de corvos investigadores,

que tinha o objetivo de descobrir o que estava acontecendo, carregava o “Espelho dos Ventos” 

— um objeto encantado que refletia tudo o que via para os quatro cantos do mundo.

O espelho capturou a imagem do pássaro ferido, 

sem asas, correndo pelo chão.

Aquela imagem chocou a muitos,

e logo todos os reinos souberam de sua dor

e de seu corpo com cicatrizes profundas.

Os grandes reis e rainhas dos diferentes reinos começaram a discutir sobre a imagem.

Alguns disseram:

— Pobrezinho! Vamos espalhar sua história para que nunca se esqueçam desse sofrimento.

Outros murmuraram:

— Precisamos usá-lo como um símbolo para nossas causas, para que muitos venham nos apoiar.

Mas ninguém perguntou ao pássaro como ele se sentia.

O pássaro, sentindo-se prisioneiro da imagem no Espelho dos Ventos, pois era a notícia mais divulgada e não havia nenhuma solução para o Dragão de Ferro,

decidiu partir em uma jornada para recuperar sua verdadeira voz.

No caminho, encontrou uma águia dotada de sabedoria, que lhe aconselhou:

— Amigo, para ser mais que uma imagem,

você deve contar sua própria história, com suas próprias palavras, 

mesmo que não te ouçam, nem te aceitem, nem te amem.

O pássaro e a águia resolveram sair juntos pelo mundo

para ajudar outras vítimas do dragão.

A águia, muito ágil e veloz, lhe ensinou a se defender

dos atacantes de ferro por onde passava.

Durante sua jornada, encontrou outros que também foram marcados pelo Dragão de Ferro,

e percebeu que sua dor não era única.

Então, com coragem, começou a contar sua própria história, que falava não só de sofrimento,

mas de esperança e reconstrução,

pois aprendeu muito com a águia que nunca o abandonou.

Seu canto encantou a muitos

e ecoou até o Espelho dos Ventos,

que desta vez refletiu não só a dor,

mas a força do pássaro e sua ousadia.

E assim, ele deixou de ser apenas um símbolo da tragédia e se tornou um exemplo de superação,

sobressaindo-se em meio aos horrores do

Dragão de Ferro.