Certa vez, um jovem encontrou um sábio e lhe perguntou o que ele acreditava ser aquilo que nos move a viver.
— O que nos move a viver? — questionou o jovem.
— Mulheres?
— Dinheiro?
— Fama?
— Para mim, tudo isso parece como correr atrás do vento.
— Há uma inquietação em meu ser que não me permite repousar enquanto não descobrir o que realmente nos move a viver.
— Vivo até hoje, neste instante, e no seguinte.
— Caminho.
— Respiro.
— Persigo.
— Mas não enxergo aquilo que me faz prosseguir.
O sábio permaneceu em silêncio por um momento.
Então perguntou:
— Jovem... mas o que é viver?
O rapaz hesitou.
— É sonhar?
— Apenas isso? — tornou o sábio.
— E se os sonhos não se realizarem?
O jovem refletiu por alguns instantes.
— Ainda assim, fico satisfeito por lhes dar forma.
— Por contemplar algo que existe para além de mim.
— Algo que permanece vivo apenas como um ideal.
— Imaculado pelo decaimento das coisas humanas.
O sábio sorriu.
— Vejo que também carregas alguma sabedoria.
— Mas ainda sonhando, deixas escapar aquilo que os sonhos tentam alcançar.
— Por isso, escuta-me:
— Viver é caminhar em direção a algo que teu coração recorda, ainda que tua mente já não se lembre.
— É buscar uma felicidade cujo nome desconheces, mas cuja ausência reconheces.
— É sentir falta de algo que jamais viste por completo, mas que, de algum modo, sempre esteve contigo.
— Tudo aquilo que mencionaste pode mover teus passos.
— Mulheres.
— Dinheiro.
— Fama.
— Sonhos.
— Conquistas.
— E até mesmo as tuas dores.
— Mas nenhuma dessas coisas consegue preencher inteiramente o vazio que carregas.
— Pois elas apenas refletem, de forma imperfeita, aquilo que realmente procuras.
O jovem permaneceu em silêncio.
Como se aquelas palavras despertassem uma lembrança distante.
Então o sábio continuou:
— Não apenas sonhe.
— Sinta.
— Corra.
— Agarre.
— Deixe voar.
— Chore quando for preciso.
— Recomece quando for necessário.
— E, após isso...
— Volte ao início.
— Pois tudo retorna ao seu princípio.
— Os dias.
— As estações.
— Os rios.
— Os homens.
— E nós também.
— Buscamos em muitos lugares aquilo que parece faltar-nos.
— Damos nomes diferentes a essa ausência.
— Vestimo-la com desejos.
— Com conquistas.
— Com amores.
— Com lembranças.
— Com promessas.
— E ainda assim ela permanece.
— Silenciosa.
— Esperando.
— Talvez porque certas coisas não tenham sido feitas para serem encontradas de uma só vez.
— Mas para serem reconhecidas.
O jovem abaixou os olhos.
E pela primeira vez, não parecia procurar uma resposta.
Parecia escutá-la.
Então o sábio concluiu:
— E talvez, ó jovem...
— Ao final de tua caminhada...
— Descubras que aquilo que procuravas desde o princípio
— Também procurava por ti.
Herik Batista, 17 de junho, 2026
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Autor:
Carlos Herik B. Batista (
Offline) - Publicado: 17 de junho de 2026 07:15
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema narra uma história com uma mensagem mais profunda... Se não percebeu... Volte ao início... Recomece...
- Categoria: Não classificado
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Offline)
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