Carlos Herik B. Batista

O Sábio e o Jovem

Certa vez, um jovem encontrou um sábio e lhe perguntou o que ele acreditava ser aquilo que nos move a viver.

— O que nos move a viver? — questionou o jovem.

— Mulheres?

— Dinheiro?

— Fama?

— Para mim, tudo isso parece como correr atrás do vento.

— Há uma inquietação em meu ser que não me permite repousar enquanto não descobrir o que realmente nos move a viver.

— Vivo até hoje, neste instante, e no seguinte.

— Caminho.

— Respiro.

— Persigo.

— Mas não enxergo aquilo que me faz prosseguir.

O sábio permaneceu em silêncio por um momento.

Então perguntou:

— Jovem... mas o que é viver?

O rapaz hesitou.

— É sonhar?

— Apenas isso? — tornou o sábio.

— E se os sonhos não se realizarem?

O jovem refletiu por alguns instantes.

— Ainda assim, fico satisfeito por lhes dar forma.

— Por contemplar algo que existe para além de mim.

— Algo que permanece vivo apenas como um ideal.

— Imaculado pelo decaimento das coisas humanas.

O sábio sorriu.

— Vejo que também carregas alguma sabedoria.

— Mas ainda sonhando, deixas escapar aquilo que os sonhos tentam alcançar.

— Por isso, escuta-me:

— Viver é caminhar em direção a algo que teu coração recorda, ainda que tua mente já não se lembre.

— É buscar uma felicidade cujo nome desconheces, mas cuja ausência reconheces.

— É sentir falta de algo que jamais viste por completo, mas que, de algum modo, sempre esteve contigo.

— Tudo aquilo que mencionaste pode mover teus passos.

— Mulheres.

— Dinheiro.

— Fama.

— Sonhos.

— Conquistas.

— E até mesmo as tuas dores.

— Mas nenhuma dessas coisas consegue preencher inteiramente o vazio que carregas.

— Pois elas apenas refletem, de forma imperfeita, aquilo que realmente procuras.

O jovem permaneceu em silêncio.

Como se aquelas palavras despertassem uma lembrança distante.

Então o sábio continuou:

— Não apenas sonhe.

— Sinta.

— Corra.

— Agarre.

— Deixe voar.

— Chore quando for preciso.

— Recomece quando for necessário.

— E, após isso...

— Volte ao início.

— Pois tudo retorna ao seu princípio.

— Os dias.

— As estações.

— Os rios.

— Os homens.

— E nós também.

— Buscamos em muitos lugares aquilo que parece faltar-nos.

— Damos nomes diferentes a essa ausência.

— Vestimo-la com desejos.

— Com conquistas.

— Com amores.

— Com lembranças.

— Com promessas.

— E ainda assim ela permanece.

— Silenciosa.

— Esperando.

— Talvez porque certas coisas não tenham sido feitas para serem encontradas de uma só vez.

— Mas para serem reconhecidas.

O jovem abaixou os olhos.

E pela primeira vez, não parecia procurar uma resposta.

Parecia escutá-la.

Então o sábio concluiu:

— E talvez, ó jovem...

— Ao final de tua caminhada...

— Descubras que aquilo que procuravas desde o princípio

— Também procurava por ti.

 

Herik Batista, 17 de junho, 2026