#A Vinha Deserta

Francisco Claudio Claudio Gia

#A Vinha Deserta

Claudio Gia,Macau, RN, 15/06/2025

O idoso é a vinha que não anda,
mas cujas raízes sustentam o chão.
Plantada no suor da mão que manda
o tempo, a fome e a contramão.

A lei do mundo chama "abrigo" ao túmulo
de afetos que o dever abandonou.
A ONU ergue a data — e o murmúrio
dos netos pergunta: onde ele ficou?
Dizei-me, juízes de toga tão leve:

punir se há proveito, soltar se há pesar?
Mas aquele que arruma a mala e se atreve
a trocar o colo por um leito no lar —
não é ladrão da paz que se deve?
Não há cadeia para quem faz esperar?
O salário do zelo, ninguém contabiliza.

O cuidador de olheiras, que acorda às três
e troca a fralda, a noite, a camisa,
esse sim herda o que o ingrato não vê.
Pois todo repouso que o filho maquiza
é vinha que o Pai, no juízo, desfez.

Portanto, escutai, ó pais cansados:
se vossos rebentos vos põem no porão,
o Senhor há de conta-los por enjeitados
e dar vossa herança a quem vos dá o pão.

Que o Estado não cobre do pobre o resgate,
mas do rico que abandona por pura ambição.
E que todo idoso na sala encontre um lugar cativo: não no depósito, mas no coração.

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de junho de 2026 10:02
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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