Suor e Tijolos

Francisco Queiroz

Uma ponte liga-me à torre.

Enquanto a atravesso, admiro os tijolos,

lembro-me de que parte deles é suor.

 

Subo os degraus, deparo-me com o horizonte.

De lá, faço guarda mansa,

amando tudo que meu olhar alcança.

Fortaleço-me nas belezas

para ter força contra

vindouros dias de cruezas.

 

E quando eles chegarem,

que minha espada não corte por maldade,

que o ódio não me cegue pelo que foi destruído,

que o amor prevaleça pelo que deve ser preservado,

 

que minha luta seja apenas o suor

que eleva mais um dos tijolos.

 

E quando a minha guarda

eu ceder, que o próximo

tenha uma visão

mais altiva,

convicta e bela…

 

Da Torre

que se chama

Humanidade.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de junho de 2026 09:39
  • Comentário do autor sobre o poema: Entre a espada que preserva e o esforço que edifica, um poema sobre o papel de cada um de nós na construção do amanhã.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
  • Em coleções: Naruteza.
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Eita, dessa vez o caldo engrossou, mas cá para nos.
    E tem bicho pior na face da terra do que esse que se refere, Humanidade.
    Bravos amigo, ficou porreta o seu dito.
    Abraços.
    Apegaua

    • Francisco Queiroz

      Não tem nem pior nem melhor. Se for bicho, é tudo igual, é só instinto. Agora, sem querer ser nietzschiano, aquele que pensa — e pensa para o bem — não é melhor nem pior, mas sabe das suas responsabilidades. Não chega a ser um super-homem, mas um herói do dia a dia... Tipo gente que planta sem saber quem vai comer na outra ponta, e depois de um dia duro, abre uma cerveja e curte o seu cansaço...

      Obrigado pelo carinho de sempre, amigo poeta Apegaua!

      Abraços.



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