batas as asas, meu caro amigo passarinho
voe pelo infinito azul
te apegas uma vez mais aquele velho sonho
lembras, passarinho?
outrora sonhavas com o inexplorado
o intangível
que fosses a primeira das aves a atingir,
por ingenuidade ou ciência,
o ponto onde os dois grandes céus azuis se encontravam
sonhavas com as estrelas e tentavas,
como um velocista,
bater aquelas que do além-céu caíam
sonhavas em tocar o sol
em dar uma volta inteira na lua
em rasgar os oceanos com o vento de suas asas
tu sonhavas, oh sim, sonhavas, meu caro amigo passarinho.
até que conhecestes o chão.
e de novo e outra vez, conforto achastes
ou assim pensara
te aprumaste num mundo que não o pertencia
e deixaste de sonhar
com asas enferrujadas, vôos não mais pudeste alçar.
penoso é teu caminhar, passarinho
pois para isso não fostes feito
fora criado para a infinitude do céu
para o bater-asas, livre
lindo, feito um véu
que se fechou
de novo e outra vez
tu devias voar, passarinho
voar alto, como quando sonhavas
mas não voais, meu caro amigo passarinho
não porque não podes, não…
mas por te apegares outra vez ao chão.
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Autor:
jxelsea (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de junho de 2026 06:52
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4

Offline)
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