Miniconto, Fábula: A Cantoria da Cigarra e do Grilo

Sinvaldo de Souza Gino

Miniconto, Fábula: A Cantoria da Cigarra e do Grilo

Numa noite quente no cerrado, a bicharada se juntou embaixo do jatobá pra cantoria.  

A cigarra subiu no galho mais alto e puxou o coro:  
— Ziiiiii! Eu canto alto, eu canto primeiro! Sou o som do verão!

O grilo, lá embaixo no capim, não gostou:
— Chi-chi-chi! Alto não é bonito. Bonito é cantar a noite toda sem cansar. Meu lugar é aqui!

Um começou a puxar mais alto, o outro a responder mais rápido. Ziii, chi-chi, ziii, chi-chi. A confusão espantou os sapos, calou os bem-te-vis, e até o vento parou pra ouvir.

Quando ficaram sem fôlego, a coruja falou lá de cima:
— Se vocês cantarem juntos, o cerrado vira música. Se brigarem, vira barulho.

Cigarra e grilo se olharam. A cigarra puxou o sol se pondo. O grilo entrou quando a noite caiu.  
E dali pra frente, o cerrado tinha canto o dia inteiro sem briga.

Moral: Cada um tem seu tempo e seu som. Quando respeitam, a cantoria fica completa.

 

Autor: Gino, Sinvaldo de Souza

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 12 de junho de 2026 11:56
  • Categoria: Fábula
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz
Comentários +

Comentários1

  • Francisco Queiroz

    Engraçado agora a noite lendo tua composição e de fundo um grilo cantando...
    Ficou excelente!

    Abraços



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