Miniconto, Fábula: A Cantoria da Cigarra e do Grilo
Numa noite quente no cerrado, a bicharada se juntou embaixo do jatobá pra cantoria.
A cigarra subiu no galho mais alto e puxou o coro:
— Ziiiiii! Eu canto alto, eu canto primeiro! Sou o som do verão!
O grilo, lá embaixo no capim, não gostou:
— Chi-chi-chi! Alto não é bonito. Bonito é cantar a noite toda sem cansar. Meu lugar é aqui!
Um começou a puxar mais alto, o outro a responder mais rápido. Ziii, chi-chi, ziii, chi-chi. A confusão espantou os sapos, calou os bem-te-vis, e até o vento parou pra ouvir.
Quando ficaram sem fôlego, a coruja falou lá de cima:
— Se vocês cantarem juntos, o cerrado vira música. Se brigarem, vira barulho.
Cigarra e grilo se olharam. A cigarra puxou o sol se pondo. O grilo entrou quando a noite caiu.
E dali pra frente, o cerrado tinha canto o dia inteiro sem briga.
Moral: Cada um tem seu tempo e seu som. Quando respeitam, a cantoria fica completa.
Autor: Gino, Sinvaldo de Souza