Nos planos estão viagens:
a conquista imaginária
dos paralelos e dos meridianos
com alfinetes coloridos.
Visita às melhores paisagens,
milhares de fotos e quinquilharias.
Um deslumbre forçado, autoengano,
um post de sorriso, dolorido.
O que importa?
Façamos as malas,
sabemos o que colocar:
a roupa de banho,
o protetor solar...
E, no espaço que sobrar,
colocamos coisas
que geralmente
não vamos usar.
Dentre elas:
a preocupação com o que ficou,
a parcela do cartão que financiou,
o contrato que ainda não fechou,
a saúde de um parente que não melhorou
e a clássica: "Quem a porta trancou?".
Lá é outra história.
As juras de que tudo melhora...
Será?
A impaciência com a comida que demora,
a cara fechada para o pobre que esmola,
a areia intrusa que a pele esfola
e, no final, a vontade de ir embora.
"Ai, minha casa é o melhor lugar do mundo!"
Pode até ser, mas...
Logo que vê na tela alguém em outra foto
com fundo azul perfeito...
"Nossa, tenho que ir lá, olha a água, gente!"
-
Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Online) - Publicado: 11 de junho de 2026 12:27
- Comentário do autor sobre o poema: Entre o protetor solar, o protetor de tela e a fatura do cartão: um poema sobre a nossa eterna mania de viajar para postar, algo que pouco aproveitamos de verdade...
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Sinvaldo de Souza Gino
- Em coleções: Naruteza, Urbano.

Online)
Comentários1
Nossa! Que bela viagem, parabéns poeta! Imaginei arrumando as malas no mês de julho! Férias!!!
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