Nos planos estão viagens:
a conquista imaginária
dos paralelos e dos meridianos
com alfinetes coloridos.
Visita às melhores paisagens,
milhares de fotos e quinquilharias.
Um deslumbre forçado, autoengano,
um post de sorriso, dolorido.
O que importa?
Façamos as malas,
sabemos o que colocar:
a roupa de banho,
o protetor solar...
E, no espaço que sobrar,
colocamos coisas
que geralmente
não vamos usar.
Dentre elas:
a preocupação com o que ficou,
a parcela do cartão que financiou,
o contrato que ainda não fechou,
a saúde de um parente que não melhorou
e a clássica: \"Quem a porta trancou?\".
Lá é outra história.
As juras de que tudo melhora...
Será?
A impaciência com a comida que demora,
a cara fechada para o pobre que esmola,
a areia intrusa que a pele esfola
e, no final, a vontade de ir embora.
\"Ai, minha casa é o melhor lugar do mundo!\"
Pode até ser, mas...
Logo que vê na tela alguém em outra foto
com fundo azul perfeito...
\"Nossa, tenho que ir lá, olha a água, gente!\"