Francisco Queiroz

Em Planos de Viagem

Nos planos estão viagens:

a conquista imaginária

dos paralelos e dos meridianos

com alfinetes coloridos.

 

Visita às melhores paisagens,

milhares de fotos e quinquilharias.

Um deslumbre forçado, autoengano,

um post de sorriso, dolorido.

 

O que importa?

Façamos as malas,

sabemos o que colocar:

a roupa de banho,

o protetor solar...

E, no espaço que sobrar,

colocamos coisas

que geralmente

não vamos usar.

 

Dentre elas:

a preocupação com o que ficou,

a parcela do cartão que financiou,

o contrato que ainda não fechou,

a saúde de um parente que não melhorou

e a clássica: \"Quem a porta trancou?\".

 

Lá é outra história.

As juras de que tudo melhora...

Será?

A impaciência com a comida que demora,

a cara fechada para o pobre que esmola,

a areia intrusa que a pele esfola

e, no final, a vontade de ir embora.

 

\"Ai, minha casa é o melhor lugar do mundo!\"

Pode até ser, mas...

Logo que vê na tela alguém em outra foto 

com fundo azul perfeito...

\"Nossa, tenho que ir lá, olha a água, gente!\"