Desumano

Ultracrepidário

Houve um tempo
No qual os homens
Não eram homens
Eram o que mastigavam
E apenas isso.

Houve um tempo
No qual os homens pensavam
E pensavam no porquê pensavam.
E a consciência, tal qual monolito metálico,
Nascia, erguendo tudo:
Da ira à alegria;
Das dores aos amores.
Ela erguia tudo isso
Para que não esmagasse 
O homem
Para que o permitisse respirar
Em meio ao animalesco.

Mas, o homem,
De tão pouco humano,
Vive em busca de destruir o monolito
Vive em busca de ser esmagado
Pelo o que julga ser a paz
Vive em busca de voltar a ser
Menos que um homem
Menos que um ser
Menos que algo
Menos que a vida
Menos, até mesmo, que a morte
Menos que qualquer coisa
Que se faça digna
De ser,
Ao menos,
"coisa".

E o homem, como sempre,
Triunfa
E o homem consegue, como sempre,
O que quer
E volta a ser
Pura e somente
O que mastiga.

  • Autor: Ultracrepidário (Online Online)
  • Publicado: 5 de junho de 2026 19:23
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.