Houve um tempo
No qual os homens
Não eram homens
Eram o que mastigavam
E apenas isso.
Houve um tempo
No qual os homens pensavam
E pensavam no porquê pensavam.
E a consciência, tal qual monolito metálico,
Nascia, erguendo tudo:
Da ira à alegria;
Das dores aos amores.
Ela erguia tudo isso
Para que não esmagasse
O homem
Para que o permitisse respirar
Em meio ao animalesco.
Mas, o homem,
De tão pouco humano,
Vive em busca de destruir o monolito
Vive em busca de ser esmagado
Pelo o que julga ser a paz
Vive em busca de voltar a ser
Menos que um homem
Menos que um ser
Menos que algo
Menos que a vida
Menos, até mesmo, que a morte
Menos que qualquer coisa
Que se faça digna
De ser,
Ao menos,
\"coisa\".
E o homem, como sempre,
Triunfa
E o homem consegue, como sempre,
O que quer
E volta a ser
Pura e somente
O que mastiga.