O Pão Corriqueiro

Francisco Queiroz

A gente acorda e: pão,

pula da cama, lava o rosto,

e é só superar um quarteirão.

 

Saio arrastando a chinela,

a visão ainda se ajustando,

a audição já aguçada.

 

Vejo, em um lote mal zelado,

árvores e muito mato,

um gato salivando

por um pássaro.

 

Flores laranjas me confundem;

a beleza que irradia

é da cor do entardecer,

mas é manhã!

 

Quanta ousadia.

 

Na volta, pão na sacola,

uma dona lavando a calçada,

ainda de pijama,

quase me molhou.

 

Atravesso a via;

do outro lado,

o gato, contrariado.

 

Lá do alto galho,

o pássaro canta,

despreocupado.

 

Como o pão,

pensando

que o gosto do corriqueiro

não se repete.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de junho de 2026 10:10
  • Comentário do autor sobre o poema: Eu dedico este poema a quem aprecia ir comprar pão e já vai se alimentando no caminho, beliscando o corriqueiro...
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
  • Em coleções: Naruteza, Urbano.
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    A minha parca inteligência, esse danado de pão sempre foi o sujeito.
    E eu por cá a pensar, com manteiga de garrafa, ou salame e toma de versejar.
    Ai batata, bateu no meu pensamento.
    Quem come e guarda, come duas vezes.
    Valeu, ficou magnifico, adorei a leitura.
    Ficar bem.
    Apegaua

    • Francisco Queiroz

      Aqui o preferido é o clássico pão com ovo frito na manteiga de leite, dá energia pra metade da peleja...

      Abraço, caríssimo Apegaua



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