Francisco Queiroz

O Pão Corriqueiro

A gente acorda e: pão,

pula da cama, lava o rosto,

e é só superar um quarteirão.

 

Saio arrastando a chinela,

a visão ainda se ajustando,

a audição já aguçada.

 

Vejo, em um lote mal zelado,

árvores e muito mato,

um gato salivando

por um pássaro.

 

Flores laranjas me confundem;

a beleza que irradia

é da cor do entardecer,

mas é manhã!

 

Quanta ousadia.

 

Na volta, pão na sacola,

uma dona lavando a calçada,

ainda de pijama,

quase me molhou.

 

Atravesso a via;

do outro lado,

o gato, contrariado.

 

Lá do alto galho,

o pássaro canta,

despreocupado.

 

Como o pão,

pensando

que o gosto do corriqueiro

não se repete.