A minha Aurélia

Sinvaldo de Souza Gino

A minha Aurélia

Eu li, Senhora, ainda moço,  
Naquelas páginas de escola.  
Aurélia me marcou o peito  
Como quem deixa uma espora.

Cresci com ela na cabeça:  
Altiva, firme, sem perdão.  
Mulher que comprava o destino  
E cobrava amor na mão.

Anos depois, numa esquina,  
A vida me pregou uma peça.  
Vi Lucimar vindo em minha direção  
E o livro virou profecia.

Não era a vingança de Aurélia,  
Nem o dote sobre a mesa.  
Era o mesmo olhar de reina  
Que não se curva à fraqueza.

José de Alencar me avisou,  
Mas eu só entendi ali:  
Que um dia a literatura  
Ia sair do papel pra mim.

Minha Aurélia não tem Seixas  
Pra consertar ou comprar.  
Tem a mim, que desde jovem  
Já sabia em quem se encantar.

Li o livro, achei que era enredo.  
Vi Lucimar, vi que era verdade.  
E desde então eu entendo:  
Todo romance de mocidade  
É só ensaio pro momento  
Em que a vida vira saudade.

Autor: Sinvaldo Gino

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 2 de junho de 2026 10:25
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 4


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