#“O Leite e a Mentira”
Cláudio Gia, Macau, RN, 01/06/2026
Hoje a imprensa é só distorção e fake news —
cada manchete um espelho quebrado,
cada título uma seta envenenada.
Os fatos se dissolvem no tubo de ensaio da opinião,
e o leitor, cansado de engolir areia,
apaga os olhos e jura:
“Não acredito mais em nada.”
A verdade virou refém de cliques e algoritmos.
O jornal que um dia foi gazeta de liberdade
agora é fábrica de pânico e de versões.
E o povo, órfão de notícia limpa,
se apega ao pouco que ainda cheira a real:
o beijo da mãe ao amanhecer,
o copo de leite servido à criança do vizinho.
Porque ainda há mulheres de peito aberto
que não mediram braços com a solidão.
Mães que ordenham a própria alma
para alimentar o filho que não pariram —
gesto bruto de amor, desses que a câmera não filma,
que a manchete não vende,
que o algoritmo não entende.
Elas doam leite como se doassem perdão.
Não pedem like, não assinam coluna,
não entram nos trending topics.
Apenas esvaziam os seios e enchem o mundo de futuro.
E enquanto a imprensa troca a verdade por ibope,
essas mulheres ensinam o que é notícia de verdade:
um grato gesto de amor ao próximo.
Gratidão líquida, branca, quente —
a única manchete que ainda merece fé.
Que os leitores desconfiem dos jornais.
E confiem no leite.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de junho de 2026 15:24
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
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