Há uma casa dentro de ti
que nunca fecha as janelas.
E toda vez que o vento chama teu nome,
vejo teus olhos partirem
antes mesmo dos teus passos.
Eu sou um cais à espera,
enquanto teus barcos retornam
sempre ao mesmo porto.
Não invejo as raízes
que te prendem à terra;
mas, às vezes,
sinto que sou apenas uma estação
na viagem de um trem
que nunca deixou sua origem.
Há um rio entre nós,
e ele nasce longe,
em terras que não conheço.
Quando suas águas se revoltam,
transbordam sobre nossos campos,
arrastando flores,
silêncios
e promessas.
Queria ser horizonte,
mas me torno neblina,
porque teu sol ainda se inclina
para o quintal de ontem.
E eu,
feito jardim paciente,
espero a primavera
de um amor que floresça inteiro.
Não te peço que cortes as raízes.
Peço apenas
que aprendas a crescer.
Porque árvores também amam a terra,
mas ainda assim
erguem seus galhos para o céu.
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Autor:
Jr.Silva (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 31 de maio de 2026 19:25
- Comentário do autor sobre o poema: As raízes são essenciais, pois sustentam a árvore; contudo, elas não existem para impedir o crescimento dos galhos. Escrevi estes versos pensando em como, muitas vezes, o amor se perde não pela ausência de sentimento, mas pela dificuldade de encontrar equilíbrio. Há laços que nos formam e há laços que escolhemos construir. Ambos merecem cuidado, mas nenhum deve sufocar o outro. Que este poema seja um convite à reflexão sobre a importância de honrar as origens sem deixar de caminhar em direção aos próprios horizontes.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4

Offline)
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