Sem rumo

Jonas Teixeira Nery

Eu que sou barco à deriva no escuro,
entre ventos que dobram o meu rumo,
tateio paredes sempre inseguro,
buscando deter meu passo prumo.

O relógio indiferente não recua,
devora os segundos na sua dança,
Meus sentimentos com medo acuam,
Mendiga a amiúde um sopro de esperança.

Ainda assim resisto, não me entrego, ou afino,
pelos cantos da alma, no escuro do sino.
E sigo buscando as paredes do peito,
que esse tempo teceu e deixou sem jeito.

Mesmo assim persisto nesse demorado caminho,
traçando meus dias, iludindo os meus espinhos.
Navego mares revoltos, onde o vento sopra incertezas,
colecionando, no peito, as mais brandas belezas.

Não há pressa na jornada, nem mapa que a defina,
apenas a bafagem que sopra por essas veredas...
Sigo inteiro e desperto, desatando os nós do passado,
sabendo que a cada passo, o destino é reinventado.

  • Autor: JTNery (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de maio de 2026 08:27
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 5


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