Eu que sou barco à deriva no escuro,
entre ventos que dobram o meu rumo,
tateio paredes sempre inseguro,
buscando deter meu passo prumo.
O relógio indiferente não recua,
devora os segundos na sua dança,
Meus sentimentos com medo acuam,
Mendiga a amiúde um sopro de esperança.
Ainda assim resisto, não me entrego, ou afino,
pelos cantos da alma, no escuro do sino.
E sigo buscando as paredes do peito,
que esse tempo teceu e deixou sem jeito.
Mesmo assim persisto nesse demorado caminho,
traçando meus dias, iludindo os meus espinhos.
Navego mares revoltos, onde o vento sopra incertezas,
colecionando, no peito, as mais brandas belezas.
Não há pressa na jornada, nem mapa que a defina,
apenas a bafagem que sopra por essas veredas...
Sigo inteiro e desperto, desatando os nós do passado,
sabendo que a cada passo, o destino é reinventado.